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riscos_e_rabiscos

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Eu também passei por estas escolas... :(

Duas noticias sobre escolas por onde passei em dois dias seguidos é dose. Já nada me espanta, já espero tudo. O que verifico é que a violência é cada vez maior e as formas de a combater eficazmente, cada vez menores.

 

Ainda eu não tinha feito estágio, fui colocada na Eb 2,3 Carlos Paredes. foi uma escola que me marcou em vários aspectos de forma positiva: pela amizade e camaradagem entre colegas, pela minha turma de 9º ano só de raparigas com apenas um "meio-rapaz" e que andavam loucas pelo Rui Barros, meu colega na altura, o treinador do peso pesado. Não podiam ver o prof. passar de calções. Pelo ambiente da escola, pela senhora do bar, uma senhora alentejana que fazia umas tostas maravilhosas. Pelo meu 7º ano com alunos especiais. Pelo meu primeiro Rally Papper que terminou numa patuscada. Por tanta coisa boa...!

 

Hoje vejo nas notícias o motivo pelo qual está a ser falada. E fiquei triste. A cada ano de ensino que passa, começo a ver o quanto o ensino se degrada deviso (também) a alunos que não sabem respeitar nada e nem ninguém, sem qualquer pejo ou valores morais.

 

Venho no autocarro para casa e oiço uma senhora atender o telefone. Alguém lhe conta do outro lado, possivelmente um filho, que houve um morto e um ferido na escola que a filha frequenta. Fiquei com as antenas no ar, obviamente. 

Ao ligar o computador e ao acessar a página do sapo deparo-me com a tal notícia. E não é que esta foi a escola onde andei até ao 9º ano? Fiquei novamente triste. 

Na verdade, a escola abrange áreas complicadas mas nunca me passou pela cabeça que pudesse acontecer algo assim. 

 

Ambos os acontecimentos aconteceram no exterior das escolas, mas protagonizados por alunos ou ex-alunos das mesmas. E só não aconteceu lá dentro porque não calhou, avento eu esta hipótese.

 

Agora pergunto eu: não deveriam ser as escolas um sítio super seguro para as nossas crianças? Apercebo-me de cada coisa às vezes, que os pais nem sonham.. e ainda bem.

 

Não se esqueçam que dou aulas em escolas "problemáticas"...

A Realidade Começa a Revelar-se…

 

Ainda a propósito daquele acontecimento que tem vindo a abrir os nossos telejornais nos últimos dias - a agressão da aluna à professora - , e uma vez que ainda não tive oportunidade de “pôr o meu dedo na ferida” devido às festividades pascais, vou fazê-lo agora.

 

Espantem-se ao mais incrédulos, mas este acontecimento não é assim tão invulgar. Os meus colegas que me lerem sabem do que falo. Infelizmente, o que vai acontecendo nas nossas escolas, reflecte o pouco valor que é dado aos professores, é o espelho do que se passa nos lares de Portugal em que muitos pais não conhecem os filhos fora do ambiente familiar e nem sequer lhes fazem um acompanhamento devido, à legislação que vem saindo onde o estatuto do professor vai sendo espezinhado e o estatuto do aluno vai sendo exaltado. Qualquer dia nem é preciso ir à escola, basta os alunos irem fazer uma ”provazinha” (que por acaso até já tinha sido feita por um colega e que lhe deu o enunciado para “estudar”) para passar de ano.

 

Os professores são palhaços e sacos de pancada. Aos olhos de muita gente é para isso que devem servir, já que nem o mínimo de respeito merecem.

Agora coloquem-se lá na pele da minha colega do tão famoso vídeo. Imaginem que na escola onde leccionam – tal como em todas as escolas que eu conheço – no regulamento interno da escola, existe uma alínea que proíbe a utilização do telemóvel na sala de aula. E num determinado dia, uma aluna está a usá-lo, abusivamente no envio de SMS, à frente do vosso nariz estando literalmente a borrifar-se para o facto de vocês até estarem a ver. A professora até é uma “velha estúpida” (na opinião dela).

 

A professora tenta dar a sua aula, fingindo nem perceber o que se está a passar, simplesmente para não acirrar os ânimos. Mas vendo a perturbação geral da turma, adverte a aluna. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. À quarta decide tirar-lhe o telemóvel para entregar no conselho executivo e, assim, cumprir o regulamento interno. E é aqui que a coisa se dá. O resto já vocês sabem.

 

Situações destas não são assim tão invulgares. E por variados motivos. As coisas é que não “saem cá para fora”. Porque os C.E. abafam as coisas para não dar má fama à escola ou sabe-se lá porquê! Porque os professores sentem-se humilhados, desmotivados, desacreditados, com medo de represálias ou que estes episódios sejam encarados como falta de autoridade. As motivações podem ser várias.

 

Nunca mais me esqueço que, numa escola onde leccionei na zona de Sintra, um grupo de alunos tramou um professor de uma forma tão simples como tirar uma foto na hora H. Tramaram uma situação de agressão ao professor e quando o professor se tentou defender…Olha o passarinho! Click! Ficou para a posteridade.

 

E o mesmo se passa com a situação de agressão da aluna à professora. Há um palhaço de um colega (que até devia estar a ter um orgasmo com a situação, desculpem a grosseria) que resolveu gravar a cena com o telemóvel para depois colocar no youtube, para que a professora ainda fosse mais gozada. Não bastava o escárnio e a humilhação que a professora passou na sala de aula. Só tenho pena que isto não se tenha passado com a senhora Ministra…

 

E agora? O que é que vocês fariam? Agradecemos sugestões para os professores aprenderem a lidar com “animais selvagens” dentro da sala de aula. Sim, porque não vejo outra forma de ver estes alunos…